sexta-feira, 24 de março de 2017

essa pegada até hoje ribomba as paredes do nosso racismo (nosso,teu,cara-pálida)



Como Macau (Oswaldo Rui da Costa) compôs Olhos Coloridos: Um dia, já quase esquecido, acompanhava uma exposição escolar no Estádio do Remo do Flamengo, quando foi convidado pela Polícia Militar a ir a um lugar reservado. “Virei suspeito. Meu cabelo rastafári, minha roupa incomum. Havia um sargento me observando, quis ver meu documento. Eu não tô fazendo nada, eu disse. Me levou à força. Você é muito folgado!” No bate-boca com o sargento, Macau deixou vazar seu inconformismo com a situação. “Qual é o problema com o meu cabelo? Qual é o problema com a minha roupa? Se você tirar essa farda, é um sarará criolo, que nem eu!” O sargento, também negro, não gostou. Mandou sumir com ele. “Me trataram como um lixo humano, fiquei numa jaula, como uma lata de biscoitos, no14.º DP, com tanta gente dentro que minhas pernas não conseguiam se mexer. Fui salvo por um padre da pastoral, Bruno Trombeta, e pelo meu amigo Paulinho Bagunça, que era salva-vidas na praia. Achavam que eu já estava morto quando me acharam. Macau saiu revoltado. Quiseram levá-lo para casa, ele não foi. Foi caminhando até a praia do Leblon. “Virou um campo minado dentro de mim. Fiquei olhando para o mar, chorando, pensando em qual a maneira de revidar. E foi quando escrevi essa letra, Olhos Coloridos”. Do Jornal Estadão de 26-julho-2012. Pg D14 (informação do Paulo Mattos)

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